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COORDENAÇÃO: Centro de Ecologia Aplicada "Professor Baeta Neves" (CEABN InBIO): Francisco Castro Rego e Ana Luísa Soares

EQUIPA CEABN InBIO: Francisco CastroAna Luísa Soares RegoSusana DiasInês DuarteLeónia Nunes

COLABORADORES: Ana Cortiçada, Anabela Pereira, Armando Vasco Caetano, Arthur Santos, Bruno Silva,  Davide Gaião, Manuel Caria, Madalena Dias Ferreira,  Marisa Graça,  Paulo Marques, Rita Ramos, Teresa Megre Pires.

Consultores: Teresa Vasconcelos, Pedro Arsénio e Ana Raquel Cunha

A importância das árvores para a qualidade de vida nas cidades tem sido objeto de crescente reconhecimento. A partir de uma base empírica do efeito benéfico das árvores várias cidades, em que se inclui Lisboa, incluíram sempre árvores no planeamento de muitos dos seus arruamentos. As árvores de arruamento de Lisboa foram objeto de trabalhos relevantes como o de Teresa Andresen em 1982, mas só recentemente, em 2006, com recurso a metodologias adequadas com o modelo STRATUM, esses efeitos puderam começar a ser quantificados com o trabalho de Ana Luísa Soares e Francisco Castro Rego. No Porto, trabalho equivalente, mas agora com o mais recente modelo i-Tree, foi realizado por Marisa Graça em 2017.

A cada vez maior exigência na avaliação e quantificação dos serviços ambientais (ou de ecossistema) proporcionados pelas árvores na cidade tem sido objeto de muito interesse a nível internacional. Na Europa destacaram-se desde logo as ações de Cooperação Europeia na área da investigação científica e técnica COST sobre "Urban forests and trees" e o fundamental livro daí decorrente editado por Cecil Konijnendijk e outros em 2005. Nos Estados Unidos da América, na sequência do STRATUM desenvolvido por Greg McPherson, surge em 2006 uma outra ferramenta de modelação, o i-Tree, desenvolvido numa parceria de entidades com os Serviços Florestais (USDA-FS). No desenvolvimento desta ferramenta e na sua utilização em diversas cidades tem-se destacado o papel de David Nowak.

No que respeita à componente de inventariação é de realçar que desde 2006 a Câmara Municipal de Lisboa (CML) tem vindo a investir na caracterização do arvoredo de Lisboa em particular na sua georreferenciação como ferramenta de gestão e manutenção deste património. No final de 2018 existiam cerca  48 mil árvores de arruamento georreferenciadas.

O presente protocolo tem por objetivo desenvolver estudos de quantificação dos serviços de ecossistema proporcionados pelas árvores urbanas, através de inventariação de arvoredo e sua análise, comparação de inventários realizados anteriormente para a cidade em estudo, bem como na utilização de ferramentas que permitam realizar a referida quantificação. Este trabalho está organizado nas seguintes tarefas:

Para a tarefa 1, estima-se que o número de árvores a inventariar seja próximo dos 14 mil indivíduos, sendo importante distinguir entre a necessidade de levantamento e georreferenciação do arvoredo nalgumas freguesias em que a informação é mais escassa (freguesias de Alvalade, Beato, Lumiar, Marvila, Penha de França, e Santa Clara); na tarefa 2 será realizada a atualização de dados nas freguesias em que essa informação existe, mas exige validação cerca de 30 mil árvores (freguesias de Ajuda, Alcântara, Areeiro, Arroios, Avenidas Novas, Belém, Benfica, Campo de Ourique, Campolide, Carnide, Estrela, Olivais, Parque das Nações, Santa Maria Maior, Santo António, São Domingos de Benfica, e São Vicente); a tarefa 3 dedica-se à introdução dos dados recolhidos nas tarefas anteriores em SIG (sistemas de informação geográfica) de modo a poderem ser utilizados nas fases subsequentes deste projeto e de outras aplicações de interesse para a CML. A tarefa 4 foca-se na componente de quantificação dos serviços de ecossistema proporcionados pelas árvores de arruamento que será baseada nos resultados das fases anteriores de inventariação. A tarefa 5 inclui a divulgação dos resultados e comunicação ao público, que será transversal a todas as tarefas. Até ao final do projeto será realizada uma sessão aberta ao público em geral, e cuja data será acordada de acordo com agenda da CML no âmbito da “Lisboa capital Verde Europeia 2020”. Prevê-se ainda a colaboração numa edição com a CML dos resultados do projeto com fornecimento dos dados recolhidos, imagens e textos.

A investigação desenvolvida neste protocolo avaliará os benefícios das árvores urbanas, por forma a indicar quais as espécies que se devem valorizar e utilizar na cidade. Será considerado o valor ecológico e estético, a resistência a pragas e doenças, o estatuto de conservação, e a sua origem geográfica e/ou o seu comportamento de invasora. Pretende-se contribuir para a valorização das árvores de arruamento assim como para apoio a um modelo de decisão, no planeamento urbano, através de uma gestão do arvoredo alicerçada na intervenção em arquitetura paisagista e ecologia urbana.