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COORDENAÇÃO: Francisco Moreira (CEABN InBIO).

EQUIPA CEABN: Ana Águas, António Ferreira, Filipe Xavier Catry, Francisco Moreira, Francisco Castro Rego, Joaquim Sande Silva, Miguel Bugalho.

OUTRAS INSTITUIÇÕES: Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM/UA), Centro de Investigação e Tecnologias Agro-Ambientais e Biológicas (CITAB/UTAD).

A gestão pós-incêndios tem recebido muito menos atenção do que a prevenção ou o combate a incêndios florestais. O procedimento usual em muitas áreas da região mediterrânica, após um incêndio, é cortar as árvores queimadas. Depois deste corte, geralmente existe uma pressão política forte para reflorestar activamente as áreas ardidas, numa abordagem simplista de comparar área ardida versus florestada. Estes esforços de reflorestação são normalmente realizados através de técnicas de restauro activas, como a plantação ou a sementeira.

O aproveitamento do restauro passivo, em que a abordagem utilizada é a gestão da regeneração natural das florestas (a partir de sementes ou rebentação de toiça) é muito menos frequente, apesar de ter custos económicos geralmente inferiores. Pode até haver conflito entre as duas abordagens (restauro activo ou passivo), quando governos subsidiam o restauro activo em áreas onde a regeneração natural está a ocorrer. No entanto, uma das desvantagens da utilização do restauro passivo (ou assistido) é que o tipo de floresta que está a regenerar pode não servir os objectivos de gestão da área, por exemplo quando há regeneração excessiva, ou quando espécies exóticas invasoras podem ser beneficiadas pelo fogo ameaçando a diversidade de plantas nativas e aumentando o risco de incêndios futuros.

Na última década, os fogos florestais em Portugal queimaram em média 160,000 ha por ano. O pinheiro bravo (Pinus pinaster), uma espécie nativa, e o eucalipto (Eucalyptus globulus), uma espécie exótica, constituem uma importante fonte de madeira e pasta para papel para o país. As duas espécies ocupam regiões geográficas semelhantes (cerca de 700,000 ha) e possuem um risco de incêndio muito elevado. No entanto, as respostas das duas espécies ao fogo são diferentes, limitando as opções de gestão pós-fogo e colocando diferentes questões de investigação com relevância para os gestores florestais.

O pinheiro é parcialmente termodeiscente, e as sementes armazenadas nas pinhas são a principal fonte de regeneração pós-incêndio, uma vez que o banco de sementes no solo é escasso e pouco duradouro. Geralmente existe uma abundante regeneração pós-fogo quando são queimados povoamentos adultos. As árvores adultas são mortas pelo fogo em função do grau de afectação da copa e do câmbio, e não existe regeneração vegetativa na espécie. A típica gestão-pós fogo consiste em cortar as árvores queimadas e promover a regeneração através de restauro activo (por sementeira ou plantação) ou passivo (por regeneração natural a partir de sementes). Neste contexto, avaliar e prever em que condições ocorre regeneração natural tem implicações práticas, uma vez que permitiria identificar, após um incêndio, áreas onde pode ser esperada uma má regeneração e, consequentemente, onde medidas de restauro activo deveriam ser usadas, em contraste com áreas onde poderá ser esperada uma boa regeneração, e onde a abordagem preferencial seria a gestão desta regeneração natural.

O eucalipto tem uma forte resposta vegetativa após o fogo. Desta forma, a gestão pós-fogo mais usual é cortar as árvores queimadas e gerir depois a rebentação de toiça que irá ocorrer, ou então efectuar novas plantações. Para além da resposta vegetativa, na sua região de origem os povoamentos de eucalipto podem também regenerar a partir de sementes armazenadas na copa (nos frutos) ou no solo. Em Portugal esta característica não é utilizada na gestão pós-fogo, já que a regeneração seminal não é, geralmente, abundante e não tem interesse económico quando comparada com o aproveitamento da rebentação de toiça. Neste contexto, a principal preocupação com a regeneração de semente ocorre de um ponto de vista da biodiversidade: a espécie não tem sido considerada invasora até ao momento, mas existem relatos da ocorrência de grandes densidades de plantas jovens de eucaliptos nalgumas áreas ardidas. Teria grande interesse para a gestão avaliar em que condições ocorre regeneração por semente nesta espécie, bem como avaliar o seu potencial como invasora e o impacto que poderá ter na diversidade das plantas nativas.

Em resumo, com os objectivos de definir uma adequada gestão pós-incêndios e de conservação da biodiversidade, é importante aumentar o conhecimento científico sobre os factores que determinam a quantidade de regeneração natural em pinheiro bravo e eucalipto, por forma a poderem ser construídos modelos predictivos que possam ser usados pelos gestores florestais nas suas decisões. Foi este o objectivo global deste projecto, e para o atingir foi caracterizada a quantidade de regeneração natural em áreas ardidas há 4 ou 5 anos, bem como as variáveis, relacionadas com a estrutura da vegetação pré-fogo, severidade do fogo e condições ambientais, que explicam a variabilidade observada.

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