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Cortiça de Sobreiro (Quercus suber) como fonte natural de compostos bioativos para medicamentos da doença de Alzheimer.

02/09/2020 - 16:08
A contribuição da cortiça de Sobreiro no tratamento da doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa e a causa mais comum de demência em pessoas idosas. De acordo com o relatório de 2019 da Alzheimer Disease International existem, actualmente, mais de 50 milhões de pessoas, a nível global, a viver com demência.

A "hipótese colinérgica", no tratamento da doença de Alzheimer, propõe que o mecanismo neurodegenerativo é um declínio do neurotransmissor acetilcolina no cérebro. 
Os fármacos utilizados actualmente funcionam como potenciadores do nível de acetilcolina no cérebro, estimulando, assim, os impulsos nervosos entre as células do sistema nervoso. Porém, alguns medicamentos, inibidores da acetilcolinesterase (AChE), apresentam efeitos secundários como: maior risco de incontinência urinária, problemas cardiovasculares, perturbações pulmonares, e perda de peso. 

A procura de medicamentos mais eficientes, menos nocivos, de rápida actuação e absorção, com baixa ou nenhuma toxicidade é urgente. O trabalho de investigação por parte da comunidade científica tem permitido equacionar novos caminhos. Nas últimas décadas, os produtos naturais e os medicamentos derivados tornaram-se foco de pesquisa para procura de antioxidantes naturais para serem utilizados em alimentos, produtos cosméticos e medicamentos.

Para este estudo, a equipa de investigadoras, analisou os extractos de etanol-água de resíduos de cortiça e do entrecasco da casca de Q. suber como possíveis novas fontes de compostos, com actividade antioxidante e inibidora da acetilcolinesterase (AChE), que poderiam ser aplicados no tratamento de doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.
 

É o primeiro estudo que analisa a inibição da acetilcolinesterase (AChE) juntamente com actividades antioxidantes e conteúdos fenólicos de extractos de etanol-água da cortiça de Q. suber e entrecasco. 

Na indústria corticeira, o entrecasco é pouco valorizado, pois a cortiça é o material relevante para os diferentes produtos desenvolvidos (incluindo o aproveitamento de resíduos de cortiça e das águas de cozedura das pranchas, ricas em taninos). A informação disponível sobre a composição química de extratos polares e apolares do entrecasco é escassa (ou inexistente), o que levou as investigadoras a analisarem detalhadamente a sua composição, nomeadamente a nível dos extractos lipofílicos (normalmente desvalorizados também do caso da cortiça).

Composta por uma elevada proporção de metabolitos secundários, a casca (entrecasco e cortiça) é uma potencial fonte de compostos fenólicos o que permite atribuir uma actividade antioxidante relativamente elevada contra os radicais livres nefastos ao organismo humano.

Estes extractos mostram uma actividade antioxidante significativa com uma correlação positiva entre os conteúdos fenólicos e flavonóides. Os extractos de etanol-água do entrecasco de Q. Suber, e os extractos de cortiça, em menor grau, apresentaram interessante actividade inibitória contra a enzima acetilcolinesterase (AChE) envolvida no processo de neutrasmissão, resultando na sua possível valorização como fonte acessível de antioxidantes naturais e agentes anti-acetilcolinesterase com potencial utilização em fórmulas farmacêuticas. 

O artigo está disponível em open access em: www.hindawi.com/journals/ecam/2020/3825629/