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Vindimas 2021 do Instituto Superior de Agronomia

Entre Agosto e Setembro de 2021, a Comunidade ISA junta-se para vindimar em colaboração com a Adega Belém, no ISA.

As Vinhas do ISA na Tapada da Ajuda são as únicas de Lisboa com uma função de educação, investigação e produção.

A campanha das Vindimas do Instituto Superior de Agronomia de 2021 já começou, este ano o ISA renova a sua parceria com a Adega Belém que, já desde o último ano, utiliza as uvas do ISA na produção dos seus vinhos. À iniciativa adere também a Junta de Freguesia de Alcântara e a Consulai que têm vindo a colaborar nas campanhas das Vindimas ISA.

Em 2021 esta campanha será diferente, por questões de segurança e adotando sempre as medidas recomendadas, o ISA conta com os seus colaboradores em vez dos voluntários externos. Esta é uma atividade em que toda a comunidade académica se envolve, desde alunos (de licenciatura, mestrado e doutoramento) a funcionários, docentes e investigadores.

O primeiro dia de Vindimas no ISA foi a 5 de Agosto e os dias seguintes vão sendo agendados pelos técnicos.

   
Técnicos, Investigadores, Professores e Estudantes da AEISA no primeiro dia de vindimas do ISA  © Mário Santos | ISA

Todos os anos, os dias da vindima são marcados de acordo com o grau de maturação das uvas das várias castas existentes, que vai sendo analisado pelos especialistas do ISA. São eles docentes, técnicos e investigadores que estão envolvidos nesta tarefa ao longo de todo o ano para cuidar e preparar as vinhas para esta época, além da manutenção e função pedagógica das vinhas do ISA, em análise e estudo permanente pelos estudantes dos cursos do ISA.

Ao longo dos últimos anos o ISA tem divulgado e aberto o seu Campus à comunidade envolvente, a todos os cidadãos e familiares que tomam conhecimento da atividade e procuram o ISA nesta altura para poderem participar na experiência única da vindima, em plena cidade de Lisboa.

As Vinhas da Tapada da Ajuda são as únicas de Lisboa com uma função de educação, investigação e produção. O Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, está situado na Tapada da Ajuda, um Parque Botânico com cerca de 100 hectares, no interior da cidade de Lisboa com uma Reserva Botânica única onde estão representadas as espécies características do clímax da zona, jardins, arboretos diversos, viveiros florestais, terrenos de cultura (pomares, vinhas, prados, culturas arvenses e hortícolas) e diversas espécies domésticas e silvestres características. Até há bem pouco tempo as vinhas da Tapada da Ajuda e do ISA seriam uma das poucas existentes na cidade de Lisboa, continuando a ser mesmo as únicas vocacionadas para a produção e para fins de investigação, educativos e de formação dos futuros técnicos e agrónomos.

No ISA, a organização da campanha está a cargo do Núcleo dos Espaços Verdes (NEV) da Divisão de Infraestruturas, Segurança e Ambiente (DISA) do ISA com a orientação de Anabela Matos e Luís Cordeiro. A equipa do NEV mantém os diversos espaços do Campus, desde os campos pedagógicos aos espaços comuns, nestes contando com a colaboração da CML respeitante aos trilhos que ligam o Campus do ISA ao Parque Florestal de Monsanto.

As equipas de Viticultura (Professores Carlos Lopes Miguel Costa) e de Enologia (Professores Jorge Ricardo Sofia Catarino) do ISA colaboram com o NEV na otimização da gestão da vinha e na determinação da data ótima da colheita que varia com as castas. Estas Vindimas são de enorme relevância para o Curso de Mestrado do ISA em Engenharia de Viticultura e EnologiaCatarina Moreira David Picard da Adega Belém integraram este Mestrado do ISA, colaborando nos últimos anos com as Vindimas e produzindo vinhos a partir das uvas do ISA.

Adega Belém 2021  
Catarina Moreira David Picard da Adega Belém © Mário Santos | ISA

 
Equipa de voluntários no 3º dia de Vindimas do ISA
 


As Vinhas do ISA 

Na Tapada podemos encontrar cerca de 2.6 ha de vinhedos pedagógicos (o que corresponde aproximadamente a 3 campos da futebol!) sendo que 1 ha está ocupado por castas tintas (plantadas em 1997) e os restantes hectares albergam as castas brancas (plantadas em 2006).

Portugal é um país rico em diversidade e existem mais de 2 centenas e meia de castas autóctones. Nas nossas vinhas temos algumas dessas castas como é o caso da Touriga Nacional e Trincadeira (nas tintas) e o Moscatel Galego, o Encruzado, o Arinto, o Viosinho ou o famoso Alvarinho nas castas brancas.

Devido ao impacto da “terrível” praga filoxera, que dizimou as vinhas europeias em finais do sec. XIX, todas as videiras do ISA, estão enxertadas em porta-enxertos (parte radicular) de origem americana nomeadamente o 140 RU (nas castas tintas) e os R110 e 1103P (nas brancas). Os porta-enxertos (raízes) conferem não só resistência à filoxera, mas também a condições de aridez ou outras características do solo (ex. solos calcários).

Importante de salientar é também o facto de que os alunos têm que aprender a conduzir uma vinha/videira. De facto, a videira é uma “liana” pelo que se não fosse podada seria difícil de gerir o seu crescimento e de produzir. No ISA temos então vários sistemas de condução nas castas tintas, que vão desde o mais comum e mecanizável (o monoplano vertical ascendente (compasso de 3.0 x 1.2 m), até sistemas mais complexos como o Lira e o Lys (desenvolvido no ISA) (compasso de 3.0 x 1.0m), e podados em cordão royat bilateral (densidade de 3333 pl/ha).

A vinha das castas brancas está conduzida em sistema monoplano vertical ascendente e podada em cordão Royat unilateral com um um compasso de 2.5 m x 1.0) (densidade de 4000 pl/ha).

A vinha tem também instalados vários tipos de sensores da atmosfera e do solo para melhor controlar a necessidades de rega, e optimizar o volume de água aplicada e para prever pragas e doenças, numa perspetiva de uma viticultura de precisão e mais sustentável.

As características ecológicas da Tapada da Ajuda (solos argilosos, exposição sul, abrigo dos ventos norte e a proximidade do Tejo) conferem a este terroir óptimas condições para a maturação das uvas e, consequentemente, permitem a obtenção de vinhos de elevada qualidade.

Este perfil das vinhas do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa é descrito pelos Professores do ISA, Carlos Lopes e Miguel Costa que todos os anos participam nas Vindimas do ISA.
 


A Adega Experimental do ISA

O ISA tem uma Adega Experimental que apoia o estudo, prática e investigação da área de Enologia e onde é vinificada grande parte das uvas produzidas nas nossas vinhas.

“Anualmente as uvas das diferentes castas, brancas e tintas, são vinificadas à escala de microvinificação e/ou à escala piloto, sendo os vinhos correspondentes utilizados nas aulas práticas de várias Unidades Curriculares de Enologia do Mestrado em Engenharia de Viticultura e Enologia. A título de exemplo, os alunos da UC em Conservação e Estabilização de Vinhos, organizados em grupos de 4 alunos, recebem em Outubro vinhos ainda em fase de acabamento, sendo responsáveis pela sua caracterização, acompanhamento e tratamentos na Adega até final do semestre. Outro exemplo é o da utilização dos vinhos monovarietais nas aulas de Análise Sensorial de Vinhos (UC em Composição Química e Análise Sensorial da Uva e do Vinho).

Para além disso, durante a vindima a Adega Experimental do ISA realiza vinificações/produção de vinhos no âmbito de projectos de investigação, ensaios experimentais de trabalhos investigação de mestrado e doutoramento, sendo ainda de referir os ensaios realizados no âmbito de protocolos com empresas do sector vitivinícola” refere-nos a Professora Sofia Catarino.

 


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